Quanto o iFood cobra de comissão — e como reduzir sem sair da plataforma
A conta real do que sai do seu caixa por pedido, e por que a saída não é sair do aplicativo, é parar de depender só dele.
A pergunta chega quase sempre do mesmo jeito: "quanto o iFood leva de cada pedido?". A resposta curta é entre 12% e 30%, dependendo do plano e de quem faz a entrega. A resposta útil é outra, e é a que quase ninguém faz a conta: quanto isso dá no fim do mês, no seu volume.
As duas contas que você precisa fazer
Comissão de marketplace não é um número só. Ela costuma se dividir assim:
- Plano básico (entrega própria): a comissão fica na faixa mais baixa, porque quem entrega é você. Você paga pela vitrine.
- Entrega pelo aplicativo: a comissão sobe, porque entra o custo logístico do entregador.
- Taxa de pagamento online: um percentual separado sobre o valor transacionado, que muita gente esquece de somar.
- Promoções e cupons: quando você entra numa campanha, parte do desconto costuma sair do seu bolso.
Some tudo e o percentual efetivo quase nunca é o que está no contrato. É esse número efetivo que interessa.
Um exemplo com números redondos
| Item | Valor |
|---|---|
| Pedidos por mês pelo aplicativo | 600 |
| Ticket médio | R$ 60,00 |
| Faturamento pelo aplicativo | R$ 36.000,00 |
| Comissão efetiva de 23% | R$ 8.280,00 por mês |
| No ano | R$ 99.360,00 |
Quase cem mil reais por ano saindo por uma porta só. E o mais caro nem é o dinheiro.
O custo que não aparece na fatura
Quando o pedido entra pelo marketplace, o cliente é do marketplace. Você não fica com o telefone, não fica com o histórico, não sabe o que ele pede sempre nem há quanto tempo ele não aparece. No mês seguinte, pra falar com o mesmo cliente, você precisa pagar de novo — só que agora em anúncio dentro da própria plataforma.
Comissão é aluguel de vitrine. O problema não é o aluguel: é não ter loja própria nenhuma.
Por que sair do aplicativo é quase sempre a decisão errada
A reação óbvia é "então eu saio". Na prática isso costuma dar errado, e por um motivo simples: o marketplace traz o cliente novo, aquele que não conhece você. Sair de uma vez derruba o faturamento antes de qualquer canal próprio existir.
O caminho que funciona é outro, e é chato de tão simples: continue vendendo lá, e comece a trazer para o seu canal quem já é seu cliente. Quem já pediu de você três vezes não precisa de vitrine — precisa de um link e de um motivo.
O que muda a agulha, em ordem de esforço
- Ter um canal próprio que preste. Cardápio digital ou app próprio, com o mesmo cardápio, o mesmo pagamento e o mesmo acompanhamento de pedido. Se o seu canal é pior que o do aplicativo, ninguém migra.
- Colocar o link em todo pedido que sai. Na embalagem, na nota, na mensagem de "seu pedido saiu para entrega". Custa quase nada e é o que mais converte.
- Dar uma razão de primeira vez. Frete grátis ou um brinde no primeiro pedido pelo canal próprio. Compare com os 23% que você deixaria de pagar — o desconto sai barato.
- Ter a base de clientes na mão. Sem telefone e histórico salvos, não existe recompra provocada. É aqui que a maioria trava.
Uma meta realista
Migrar 30% dos pedidos de aplicativo para o canal próprio é uma meta que operação organizada alcança em alguns meses. No exemplo acima, 30% de 600 pedidos são 180 pedidos por mês que deixam de pagar comissão: cerca de R$ 2.480 por mês, quase R$ 30 mil por ano, sem vender nada a mais.
E note: você continua vendendo os outros 420 no aplicativo. Ninguém saiu de lugar nenhum.
O que isso exige do seu sistema
Nada disso funciona com o pedido do aplicativo sendo digitado à mão num tablet separado. Pra migrar cliente você precisa de três coisas juntas: os pedidos de todos os canais na mesma tela, a base de clientes unificada, e um canal próprio que não seja pior que o do marketplace.
É exatamente isso que o Aliv Hub faz: iFood, 99Food, Aiqfome e Anota Aí caem na mesma cozinha do seu app próprio — e no seu app não tem comissão.
Resumo: não saia do aplicativo. Some um canal próprio, leve pra ele quem já é seu cliente e deixe o marketplace fazer o que ele faz bem: trazer gente nova.