Ficha técnica: como saber quanto custa cada pizza que sai do seu forno
O jeito prático de montar a ficha sem virar um projeto de meses — e o que ela revela sobre o preço que você cobra hoje.
Ficha técnica é a lista do que entra em cada item que você vende, com quantidade e custo. Parece burocracia de restaurante grande. Na prática é a diferença entre saber e achar — e quase toda pizzaria que eu conheço acha.
O que você descobre no dia em que monta
Três coisas aparecem quase sempre, e nenhuma é agradável:
- Tem item vendendo no prejuízo. Costuma ser o que leva mais queijo ou o que ganhou adicional "de cortesia" e nunca teve o preço revisto.
- O preço subiu no fornecedor e não subiu no cardápio. A muçarela subiu 18% em seis meses e o preço da margherita é o mesmo do ano passado.
- A conta de quanto sobra por pedido estava errada. Quase sempre pra mais, porque embalagem, gás e o refrigerante de brinde não entravam.
Como montar sem virar um projeto de meses
O erro clássico é começar pelo cardápio inteiro, cansar na terceira semana e abandonar. Faça ao contrário.
1. Comece pelos 10 itens que mais saem
Em pizzaria, uns 10 sabores costumam responder por mais da metade do faturamento. Se você acertar o custo desses 10, já resolveu a maior parte do problema. O resto entra com o tempo.
2. Pese de verdade, uma vez
Não estime. Monte uma pizza como ela sai de verdade, na balança: massa, molho, queijo, cobertura. Anote em gramas. Leva 15 minutos por sabor e é o único passo que não dá pra pular — chute na ficha técnica é pior que não ter ficha, porque dá falsa segurança.
3. Custo do insumo é o preço de compra dividido pelo rendimento
Um saco de 5 kg de muçarela a R$ 180 dá R$ 0,036 por grama. Se a pizza grande leva 180 g, são R$ 6,48 de queijo. Faça isso pra cada insumo do sabor e some.
Não esqueça do que não é comida: caixa, papel, sachê, guardanapo e o refrigerante da promoção. Em pizza de entrega, embalagem costuma ser de R$ 1,50 a R$ 3,00 por pedido — some no ano e dá dinheiro de verdade.
4. Compare com o preço de venda
A conta que interessa é o CMV, o custo da mercadoria vendida em relação ao preço:
CMV = custo dos insumos ÷ preço de venda × 100
Em pizzaria, um CMV saudável costuma ficar entre 25% e 35%. Acima de 40% é sinal de alerta: ou o preço está baixo, ou a ficha está generosa demais, ou tem desperdício no meio.
| Sabor | Custo | Preço | CMV | Situação |
|---|---|---|---|---|
| Margherita G | R$ 13,40 | R$ 49,90 | 27% | Saudável |
| Calabresa G | R$ 15,10 | R$ 52,90 | 29% | Saudável |
| 4 Queijos G | R$ 24,80 | R$ 56,90 | 44% | Revisar |
Repare no terceiro caso. Não é que a pizza dê prejuízo — é que ela dá bem menos lucro que as outras, e provavelmente é a que está em toda promoção. É o tipo de coisa que só aparece quando você mede.
O que fazer com um item de CMV alto
Aumentar o preço é a saída óbvia e nem sempre a melhor. Antes disso:
- Reveja a gramagem. 20 g a menos de queijo numa pizza que já leva 180 g não muda a experiência e muda o CMV.
- Reveja o fornecedor daquele insumo específico. O item caro costuma ser um só, não a pizza toda.
- Tire de promoção. Promover justamente o item de menor margem é o erro mais caro e mais comum.
- Aí sim, ajuste o preço. Com número na mão, você sabe de quanto precisa — em vez de subir 10% em tudo e torcer.
Ficha técnica só vale se ela baixar o estoque sozinha
Aqui está o pulo do gato. Planilha de ficha técnica morre em dois meses, porque manter à mão é trabalhoso demais. O valor real aparece quando ela está dentro do sistema de vendas: cada pizza vendida desconta automaticamente os gramas de cada insumo.
Aí você ganha três coisas de graça: estoque que bate sem contagem manual, alerta antes de acabar o insumo no meio do sábado, e o CMV real do mês sem ninguém abrir planilha.
No Aliv Hub a ficha técnica vem junto do cadastro do produto, e a baixa acontece a cada venda — inclusive nos pedidos que chegam do iFood e dos outros aplicativos.
Comece hoje: pegue os 3 sabores que mais saem, pese, calcule o CMV. Se algum passar de 40%, você acabou de encontrar dinheiro que estava vazando.